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BLOG LUÍS MACHADO. Jaboatão: 430 anos sem identidade. Quinta-feira, 04-05-2023

Apesar do riquíssimo patrimônio histórico, do parque industrial e do comércio forte, além do gigantesco potencial turístico e cultural, Jaboatão tem sido historicamente discriminado pelo Estado

  • Ao contrário da esmagadora maioria das cidades do Brasil e do mundo, Jaboatão sofre uma espécie de dor repetitiva, que se renova anualmente, pelo fato de que – dado às suas diferentes realidades -, não consegue sentir aquele amor próprio (carece de um certo bairrismo), da parte de seus habitantes.

Jaboatão completa hoje, 430 anos, mas as celebrações parecem ser mais protocolares do que fruto de um sentimento nato, onde seus moradores batam no peito orgulhosamente, com o mesmo entusiasmo do Recife e de Olinda, por exemplo, onde a poesia desabrocha até nas flores mais recônditas e discretas de seus parques, por ocasião de seus aniversários. Mas há explicação para isso.

Constituída por vários Distritos (sendo Prazeres, Cavaleiro, Jaboatão Centro, Curados e Região das praias, os principais), trata-se de um município sui generis. Segundo município mais importante, depois da Capital, tem nos seus variados perfis (conforme cada distrito), aspectos de cidade interiorana e pobre, que mistura-se com distritos mais ricos, os quais, ultrapassando 700 mil habitantes, apresenta-se como “terra de todo mundo e ao mesmo tempo de ninguém, que acolhe a todos, que lá chegam, pra se dá bem” e com isso sofre as consequências da falta de identidade.

  • Quem lê o livro Jaboatão dos Meus Avós, do falecido jornalista jaboatonense da gema, Van-hoeven Ferreira Veloso, do qual tive a honra de privar de sua amizade, tem a oportunidade de mergulhar na alma do “Yapoatan” de hoje. Vai entender muito acerca das razões históricas e sociológicas de um Município que por sua natureza e pujança é tão importante, mas que não é na mesma proporção, amado e defendido politicamente, pela maioria dos seus filhos.

Muitas das mazelas que historicamente amordaçam Jaboatão (que por oportunismo e marketing político, valendo-se das batalhas com os holandeses, no que hoje temos como Montes Guararapes, encampado pelo ex-prefeito e falecido Geraldo Melo, passou a ser chamado desde 1989, de Jaboatão dos Guararapes), são fruto da politicagem reinante em Jaboatão, a ponto de, no passado ter-se feito eleger um bode, para vereador no Município.

Quando o mundo já se assombrava com o Comunismo – também em função da Segunda Guerra Mundial -, Jaboatão surge como o primeiro a eleger um prefeito comunista, no Brasil, na pessoa de Manoel Calheiros (1947 a 1951). Foi como se tivesse havido uma maldição, já que, a partir dali, até o nome passou a ser objeto de chacota: Já boatam, já se fala (e se faz o que não deve), como asseveram os mais velhos.

Já se vão décadas e mais décadas de fisiologismo (na política local) e até mesmo discriminação por parte dos Governos estaduais que, sem explicação plausível, trataram historicamente Jaboatão, como uma espécie de município de terceira classe. Isso passa pelas artes, cultura e esportes. Malgrado o copioso número de talentos da Terra, não se investiu nestes e com isso o nome da cidade não goza de fama nacional ou internacional, bem ao contrário de Olinda e Caruaru, por exemplo.

  • Há, entretanto e ultimamente, um fato novo, na política local – e por tabela, esperança de novos ares -, na medida em que fala-se numa espécie de quebra de paradigma, no “modus operandi”, em termos de gestão, por parte do atual gestor, Luiz (Mano) Medeiros. Tem-se percebido um olhar diferenciado dele, em direção à juventude, a ponto de ter o mesmo dito a este blogueiro, dias atrás que, sua administração elegeu a juventude como sendo o foco principal das ações do Governo municipal, através de políticas públicas, voltadas a essa parcela da população.

Que assim, seja. Só assim, Jaboatão dos Guararapes não celebrará outros 430 anos, sem identidade.

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