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BLOG LUÍS MACHADO. Roberto Carlos x Gratidão: Um dos segredos do sucesso

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BLOG LUÍS MACHADO. Roberto Carlos x Gratidão: Um dos segredos do sucesso

  • No começo, não havia banda. Roberto apenas tocava violão (guitarra) sozinho. E foi na época que Roberto Carlos cantava em circo, que o futuro Rei do Brasil conheceu, em 1961, aquele que seria o primeiro músico de sua banda: o baterista e percussionista Anderson Marquez, ou o famoso Dedé, que até hoje compõe o RC-9. Na época Dedé tinha dezenove anos e trabalhava de jornaleiro. Com seu jeito alegre e brincalhão, Dedé logo ganhou a amizade de Roberto Carlos.

“Eu tomava umas bolinhas para não dormir e, quando saía da banca de manhã, já ia direto para a casa de Roberto tomar café com a família dele.” Passando de fiscal de bilheteria, para tirar a porcentagem correta do cantor, Dedé, certa vez, encontrou uma bateria em um circo onde Roberto Carlos iria se apresentar. E foi assim, tocando devagarzinho, sem que ninguém ensinasse a ele, que Dedé aprendeu a tocar bateria. Estava formado o RC-2. Roberto Carlos na guitarra e Dedé na bateria. O relato é de O Rei Roberto Carlos de fãs para fãs.

Faltava ainda um contrabaixista, e isto foi resolvido em 1964, quando o torneiro mecânico Bruno Pascoal parou para tomar um café com colegas num bar, em São Paulo. De repente, ele viu um fusquinha parado na rua e notou que o motorista parecia sem jeito para fazê-lo funcionar. O motorista era Roberto Carlos.

Bruno foi até lá e se ofereceu para ver qual era o problema. Com uma chave de fenda, ele resolveu em poucos minutos o problema do carro. O motorista agradeceu e se apresentou, dizendo que se chamava Roberto Carlos, era um cantor do Rio de Janeiro, e estava indo com aquele fusca fazer um show na cidade de Sorocaba. Bruno ficou contente em saber disto e afirmou que, embora trabalhasse como mecânico, gostava mesmo era de música, e até tocava contrabaixo numa banda do seu bairro.

“Então venha comigo para esse show em Sorocaba”, convidou Roberto Carlos. Bruno não pestanejou, e acompanhou Roberto Carlos nessa viagem. A partir daí, em todos os shows, o cantor passou a ser acompanhado pelo RC-3, com ele próprio na guitarra, o torneiro mecânico Bruno no baixo e o jornaleiro Dedé na bateria. E assim foi, durante quase toda a Jovem Guarda. Bruno ficaria na banda até meados de 1973.

E assim Roberto explodiu para o país, com a inesquecível “Quero que vá tudo pro inferno”, e com o dominical Jovem Guarda na TV Record. O Rei chegava a fazer três shows por dia. Foi quando Roberto decidiu ampliar o RC-3, contratando um guitarrista para acompanhá-lo no palco. O primeiro candidato que apareceu foi Antônio Wanderley, tecladista do Milton Banana Trio, grupo paulista que tocava repertório de bossa nova.

O problema é que ele não sabia tocar guitarra nem conhecia o repertório de Roberto Carlos. Mas Wanderley teve a “cara-de-pau” de dizer que sabia tudo isso, apresentando os primeiros acordes de Mexericos da candinha ao Rei. Roberto aceitou, já estava prestes a começar um show, e não tinha mais ninguém que tocasse guitarra. E a primeira canção do show era justamente “Mexericos da Candinha”. Wanderley tocava pedacinho aqui, pedacinho ali… Foi, portanto em pleno show que Roberto Carlos descobriu que seu novo guitarrista não dominava o instrumento.

Cabisbaixo e triste, achando que tinha perdido sua grande chance de compartilhar o sucesso da Jovem Guarda, ao final do espetáculo, o falso guitarrista procurou se desculpar ao chefe. “Pô, Roberto, você me desculpe. Na verdade, o meu negócio não é guitarra. Meu negócio é piano.” E Roberto: “Pô, bicho, mas eu estou precisando é de um guitarrista. E você não toca nada”, retrucou o Rei, que, entretanto, parece ter ficado sensibilizado com o constrangimento de Wanderley, pois decidiu lhe dar uma segunda chance.

“Vamos fazer o seguinte: aparece domingo lá no Jovem Guarda. Tem um órgão lá, vamos ver como você funciona nos teclados, porque como guitarrista realmente não dá.” Era tudo o que Wanderley queria: participar daquele programa e tocar o seu verdadeiro instrumento. Dessa vez, ele não deu bobeira: ouviu os discos de Roberto Carlos, aprendeu o repertório e no domingo mandou ver, tudo direitinho. Roberto ficou muito bem impressionado. “Cara, parabéns, gostei muito. Aí sim!”, disse-lhe ao final do programa.

Naquela mesma semana, Wanderley arranjou um teclado e passou a acompanhar Roberto Carlos nos shows, que até então não reproduziam aquela sonoridade do órgão presente nos seus discos. Wanderley já se aposentou há algum tempo, mas ainda é um dos mais famosos músicos que compuseram o RC9.

Logo em seguida, o Rei foi à procura de um guitarrista, o que ele realmente precisava. E, não querendo se surpreender novamente, ele resolveu convidar para a sua banda um músico que já conhecia muito bem: o paulista José Provetti, o Gato, guitarrista do conjunto The Jet Blacks. Agora, a banda de Roberto estava rebatizada de RC-4: Gato na guitarra, Wanderley no teclado, Bruno no baixo e Dedé na bateria.

Há de se considerar que Roberto Carlos foi o primeiro cantor brasileiro a ter a sua própria banda de acompanhamento – fato que depois se tornaria comum entre os demais artistas de nossa música popular. Isto era um luxo que os artistas brasileiros ainda não se permitiam.

Em 1967, querendo aumentar a banda, Roberto deixou para Wanderley a tarefa de escolher três músicos de sopro. O tecladista escolheu o trombonista Raul de Souza, o saxofonista Ernesto Neto, o Nestico, e o trompetista Maguinho. Estava assim pronta a formação mais famosa da banda de Roberto Carlos, o RC-7. A sonoridade da banda ficou impressionante. É notável a diferença, no disco “Em Ritmo de Aventura”, daquele ano.

E no Festival da Record de 1967 (aquele em que Roberto Carlos cantou “Maria, Carnaval e Cinzas”, lembra?), a canção Alegria, Alegria seria defendida pelo autor, Caetano Veloso. A ideia inicial de Caetano Veloso era convidar o RC-7, para acompanhá-lo em Alegria, alegria. E esta teria sido realmente a melhor opção para aquele momento do festival, pois geraria bastante polêmica, e era justamente isso que Caetano Veloso queria. Entretanto, ele ficou receoso em fazer o convite, pois não tinha contato algum com Roberto Carlos, e Caetano acabou convidando os Beat Boys (banda argentina que tocava no Brasil) para acompanhá-lo naquele número.

Mas Caetano Veloso não desistiu de ter a banda de Roberto Carlos tocando com ele. Já famoso, depois do festival tomou coragem e convidou o RC-7 para acompanhá-lo na gravação de Super-bacana, uma das faixas de seu primeiro LP solo. Mas aí muita coisa já havia ocorrido e não houve tanta repercussão.

Em contrapartida, Roberto Carlos gostou muito de Alegria, alegria e da postura de Caetano Veloso, e o convidou para cantar no programa Jovem Guarda. E Roberto fez questão de que Caetano subisse no queijinho redondo, no centro do palco, onde só subiam ele, Erasmo e Wanderléa. Nenhum dos outros convidados cantava ali. “Eu tenho a alegria de dizer que subi no queijinho onde só subiam Roberto, Erasmo e Wanderléa”, afirmaria Caetano anos mais tarde, em 2008, nos bastidores das gravações do Show Bossa Nova 50 anos.

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