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Bolsonaro se livrará do Impeachment, mas ficará Refém do Centrão.

Governo Bolsonaro chega aos 200 dias sem cumprir 25% da agenda dos 100 dias  | Poder360

Numa eleição cheia de nuances e até de situações pra lá de incoerentes, foi o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG), eleito com 57 votos, 16 além do que necessitava. Incoerentes porque, juntaram-se os interesses de Bolsonaro e do PT, por exemplo, cujos atores são ideologicamente que nem água e azeite: Não se misturam. Ou pelo menos não se misturavam.

Mas, afora qualquer coisa, um dado deve ser considerado. É que, o fato do novo presidente ter sido eleito com o empenho de Bolsonaro, isso nem de longe quer dizer que seja Rodrigo Pacheco bolsonariano. Muito ao contrário. Não escondeu ele de ninguém que, caso eleito fosse, exerceria seu mandato com independência dos demais poderes da República (Executivo e Judiciário), nos estritos liames da Lei e nada mais que isso.

Mas nem é só pelo fato de que falou ele nesses termos. É pelo fato de que, o jogo de interesses é agora jogado de forma explícita e de forma escancarada. É cada um matando ou morrendo pra defender os próprios interesses, por mais aparentemente republicano que seja o discurso, como aliás, se viu hoje, pela TV.

E não se pense que seja essa uma realidade apenas do Senado. Basta ver que, em relação à Câmara dos Deputados, a situação é a mesma. O o que se viu foi que, já na hora da votação havia desentendimentos entre partidos e até quebra de braço, entre deputados, dentro da própria legenda, na hora de quem seria indicado para compor a Mesa Diretora. Viu-se, por exemplo que, a deputada Marília Arraes (PT), mesmo não tendo inicialmente o apoio oficial de seu partido, lançou-se de forma avulsa, como postulante ao cargo de primeira secretária e só depois é que a cúpula de seu partido a homologou como nome oficial para a disputa, como de fato ocorreu.

Em resumo, o que já se pode antever com considerável margem de acerto, é que o Governo Bolsonaro, em suma, livrou-se de Rodrigo Maia, mas ficará refém do líder do Centrão, Arthur Lira (DEM-AL), já conhecido por cobrar muito caro pelo apoio, seja quem for o Governo. Bolsonaro respira um pouco e pelo menos por enquanto, em relação ao impeachment, mas abraçou-se de vez e de forma perigosa, ao Centrão. E nem se pense que os 3 bilhões extras na cota dos parlamentares (através de emendas parlamentares) implique dizer que o presidente vai dormir sossegado, porque isso não vai ocorrer. Bem, ele não tinha escolha e dos males, o menor. É esperar que agora se destranque a pauta e votem o que interessa ao País. Pelo menos este ano, já que 2022 teremos eleições e, como tal, quase pouca coisa acontece.

Rapidíssimas

  • Rodrigo Pacheco deve a Alcolumbre – Quem pensar que o novo presidente do Senado deve favor a Bolsonaro, está enganado. Seu credor chama-se Davi Alcolumbre. Aliás, ao contrário do Rodrigo Maia, o agora ex-presidente do senado demonstrou força e superação. Saiu maior do que quando entrou na Presidência. Já o cariosa Maia…

  • E por falar em Rodrigo Maia… – Na reunião de líderes que antecedeu a votação, teve até tapa na mesa e bate boca entre Rodrigo Maia e o líder do Centrão, candidato de Bolsonaro, deputado Arthur Lira (DEM-AL). Motivo da discussão foi a formalização do bloco que apoiou Baleia Rossi (MDB-SP), candidato de Rodrigo Maia na disputa.

  • Quebra de braço também por outros cargos – Quem pensa que a guerra, ontem no plenário da Câmara, foi só em função de quem seria eleito presidente da Casa, enganou-se. A batalha foi travada também, em relação aos demais cargos, na Mesa. Exemplo disso se deu com Marília Arraes (PT) que, mesmo sem o apoio oficial do partido, meteu a cara. Acabou sendo indicada oficialmente, à primeira secretaria. Sairia com muita visibilidade, a ex-candidata a prefeita do Recife.
  • Bloco de Baleia é extinto por Lira – Diante da confusão que se estabeleceu no plenário da Câmara, logo após o novo presidente tomar posse, afora o dele, os demais cargos que comporiam a Mesa Diretora foram por ele extintos. A nova composição foi adiada. Ou seja, será resolvido depois, já que Lira, em seu primeiro ato, extinguiu o bloco apoiador de Baleia Rossi, sob alegação de ilegalidade quanto ao registro dos partidos de esquerda que apoiaram o candidato da oposição. A situação está indefinida e deverá ir ao Supremo para, só após saber-se quem vai ocupar qual lugar. Com isso, quem poderá sair prejudicada é a pernambucana Marília Arraes (PT) que já comemorava a posição de primeira secretária da Casa. A situação dela, assim como do também pernambucano, André de Paula agora dependem de como vai ficar.

  • Pernambuco, em princípio, bem na fita -Além de Marília, quem demonstrou força, junto ao seu partido, na formação da nova Mesa Diretora da Câmara (agora suspensa por ato do novo presidente), foi o deputado André de Paula (PSD). Mostra que não é apenas um gigante à frente do partido, em Pernambuco. André foi líder do partido, na Câmara e agora sela de vez, seu prestígio, a nível nacional, como segundo vice-presidente da Casa.

  • PT & Cia quer mesmo o quê? – É mesmo de admirar que o PT tenha votado em Rodrigo Pacheco. Mas isso tem explicação: Que o novo presidente do Senado trabalhe em favor da abertura do impeachment de Bolsonaro. Conseguirá?

  • Eleições na Câmara. Mas de Jaboatão – Eleições em Jaboatão, sim. Contanto que, dessa vez não se vote assegurando, antecipadamente, a reeleição do atual presidente, para o biênio de 2023/2024, diferentemente do que queria o presidente da Casa, Adeildo da Igreja e um grupo de parlamentares. Como nos disse um antigo servidor da Câmara e da Prefeitura: “Esse Adeildo cutucou foi onça com vara curta. Ele que se cuide…”

  • Prefeito do Recife, parece odiar museu – Até que de museu, ele deve gostar. O que parece não querer por perto, é gente madura ocupando cargo de destaque na administração municipal do Recife. Exemplo disso é seu novo líder do Governo na Câmara, Samuel Salazar (MDB).

  • E por falar em MDB… – Alguém saberia dizer se o sumido senador Jarbas Vasconcelos (MDB) está vivo? Ora, ora! Num cenário pra lá de efervescente como foi nesta segunda-feira, ninguém sequer falar no nome dele… Sintomático, não?

Comento, argumento. Só não invento!

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