
Se tem uma coisa merecedora de repúdio e revolta, a notícia de que a safra de grãos no Brasil será a maior da história é uma delas e porquê? É porque se as 350 milhões de toneladas colhidas tivessem ao menos parte dela destinada a acabar com a fome dos mais vulneráveis, aí sim, se justificaria o estardalhaço da mídia comprada pelo Governo.
A pergunta que se faz de cara, é: se há tanta soja, tanto milho, tanto feijão, tanto arroz e tanta carne, por qual razão os preços são pela hora da morte e há milhões de brasileiros passando fome? A resposta é simples: não está a serviço dos interesses nacionais mas sim dos cartéis e conglomerados empresariais do agronegócio que ficam cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
O principal destaque é o milho. O crescimento é impulsionado por boas condições climáticas, uso de tecnologias no campo e aumento da produtividade nas principais regiões produtoras, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Se confirmada, será a maior produção da história, com aumento de 16,4% em relação a 2024.
O Governo e a imprensa fizeram e ainda fazem enorme estardalhaço em torno do tarifaço de Donald Trump, mas por incrível que pareça, as exportações brasileiras não sofreram e até cresceram, desde as restrições impostas pelo governo americano, até agora. Por aí se ver o quanto o agro brasileiro é poderoso.
Discurso bonito o governo brasileiro até faz, ao anunciar a isenção de impostos de alguns produtos da cesta básica. Mas na prática, o discurso fica muito longe da realidade e isso vem de longe e não se vê sinal de mudança nas condições alimentares do povo.
De resto, não é só a produção de grãos que pouco ou nada favorece os brasileiros. Há outros, muitos outros. Somos produtores de petróleo, mas o preço da gasolina é extorsivo. Nem mesmo o etanol produzido nas nossas barbas tem preço justo. É vergonhosamente caro, porque está a serviço do setor alcooleiro, dos grandes usineiros e produtores de cana de açúcar.
Por essas e outras é que não há motivos para comemorarmos os tão propalados records na produção de grãos. Se multiplicarem por várias vezes, ainda assim, os benefícios estarão voltados aos interesses do grande capital e não do povo brasileiro.
Mas isso tem uma razão de ser. É que não sabemos votar. Votamos mal. Ano que vem haverá eleições, mas o eleitor é irresponsável e omisso. Não questiona e não cobra dos políticos, acerca dos seus projetos e tudo continua como está.
Até quando?
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