Blog Luis Machado

Daniel Alves não deveria ter pressa

  • Quem esteve no ato de filiação de Elias Gomes, pré-candidato a prefeito do Jaboatão dos Guararapes, viu que, dentre os oradores, esteve o ex-vereador Daniel Alves (PV), a respeito de quem referiu-se o então filiando ao PT, em seu discurso, como sendo também pré-candidato a prefeito, nas eleições que se avizinham, em outubro de 2024.

Só que, numa certa contramão do que disse Elias (Elias falou por último), disse Daniel havia dito: “Há quem diga que há uma disputa, eu digo que é momento de unidade”. Ora, isso está sendo munição (está sendo interpretado) por quem defende o imediato apoio do ex-vereador ao novo petista e até por alguns blogueiros.

Ainda no burburinho de encerramento do evento, nos disse o próprio Daniel, sem que o interpelássemos a respeito: Luís Machado, você viu que todos estão deixando a entender que já retirei minha candidatura, mas não é nada disso”. De plano, retruquei, em tom de brincadeira: Mas diante de tudo o que acabamos de ver e ouvir… já deu para entender tudo”.

Como obviamente não era possível aprofundar, esclarecendo de uma vez por todas, naquele momento, acerca do que ele quis dizer, falando em “unidade”, o fato é que, se para um bom entendedor uma palavra basta, o fato é que, não se deve ainda dá como certa a desistência de Alves, em torno de sua pré-candidatura. Para nós que, semana passada publicamos, aqui no Blog, uma conversa, na qual Daniel estaria firme em seu projeto de candidatura, pelo menos por enquanto, qualquer argumentação de que este já teria dado como certo o apoio a Elias, não passa de conjectura e nada mais que isso.

Daniel sabe que a chamada janela partidária para saída/entrada, ainda vai se dá em razoável tempo à frente (só no primeiro semestre do ano que vem) e, como tal, não faria sentido ele se apressar tanto, assim. Quem teve 81 mil votos nas últimas eleições e só 5 pontos percentuais de diferença o impossibilitaram de ir ao segundo turno, com seu então concorrente Anderson Ferreira, eleito em 2020. Ele tem consciência de que isso não é pouca coisa. Aliás, o próprio Elias tem consciência disso e ter o ainda companheiro de Federação (PT, PV, PCdoB), desde já, é tudo o que o ex-prefeito queria.

Em política há uma expressão de significado quase dogmático: “Quando o cavalo passa selado ou se monta ou se fica à pé, vendo a banda passar”. Só que nesse momento (pelo menos nesse momento), melhor é não montar, sob pena de, se lá na frente, cair do cavalo, não ter mais como levantar-se. Se “quem tem tempo, não tem pressa”, uma precipitação de Daniel Alves poderá lhe render amargos prejuízos, em seu capital político de nova liderança jaboatonense.

Aqui, estamos falando de eventual permanência dele na Federação; no barco de Elias. Se acaso este vier a afundar, com ele levará todo mundo, eleitoralmente falando. Ok, mas apesar desta análise, é sempre bom lembrar do ensinamento do velho político e banqueiro de Minas Gerais, Magalhães Pinto, para quem “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”. Será que Daniel Alves faz jus a essa celebérrima frase? O tempo dirá.

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