
Poucas são as coisas a ensejar desconforto e questionamentos aos brasileiros, como a chamada marcha dos prefeitos e por quê? É porque esse evento que ocorre todos os anos, em Brasília, nos passam ao menos duas impressões: a primeira, é a de que, dá pra pensar que os senhores gestores municipais brasileiros dizem uma coisa, porém na verdade, fazem outra. Eles dizem que vão lá, tentar buscar dinheiro aos seus municípios, mas o que se vê, com raríssimas exceções, é a farra que fazem com o dinheiro público de seus municípios. Tais impressões justificam-se porque sempre levam consigo uma penca de assessores e vereadores, para absolutamente nada.
A segunda impressão é a de que, os prefeitos, adoram fazer “via sacra” aos gabinetes de deputados e senadores, mesmo sabendo a maioria deles que só obterão uma foto ao lado do seu político de estimação e nada mais que isso.A Marcha é uma oportunidade de ouro, para isso. Tais parlamentares sentem-se verdadeiros príncipes da Corte, por serem cortejados, especialmente num ano véspera de eleições – como o próximo ano de 2026 – e que precisam renovar seus mandatos.
Lembram-se das famosas emendas parlamentares, tão propaladas através da imprensa? São elas que (há outras “vantagens”) que turbinam os mandatos de deputados e senadores, vez que, por indicação deles, chegam às entidades e prefeituras, com a finalidade de gerar o tão esperado retorno político eleitoral, na forma de voto. Para se ter uma ideia, o Orçamento de despesas para tocar a máquina federal de 2025 (que era para ter sido votado no início do ano) só entrou em pauta de votação, há cerca de dois meses. E Só foi aprovado porque Lula liberou uma parte dos vários bilhões de Reais, aos senhores deputados e senadores. Está explicado, então, porque as emendas são a alma de um mandato parlamentar, na capital federal e por elas eles matam ou morrem.
Como percebe o leitor do Blog Luís Machado, trata-se de um ciclo vicioso com variadas vertentes, em benefícios de prefeitos e parlamentares, reciprocamente. É o prefeito que recebe a emenda e fica comprometido a apoiar aqueles que o ajudaram com emendas. Ao contrário de antigamente, hoje, prefeitos já não passam sozinhos nos gabinetes de ministros. Se for para fazer isso, terá o mesmo que valer-se dos “seus” deputados e senadores, que o conduzirão à presença do ministro, mas até isso tem ficado raro, vez que o dinheiro chega até ele (até pouco tempo era, via Pix) , em sua cidade, pelas mãos do deputado e do senador.
Ora, tem-se que duvidar e muito que a AMUPE (Associação Municipalista de Pernambuco), órgão representativo dos prefeitos e as demais de todo o País estejam em Brasília, para trazer dinheiro aos seus municípios. Por quê não foram até lá, para pressionar o Congresso Nacional por autonomia e independência financeira? Porquê não foram pressionar, a fim de que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad – quando da conclusão da reforma tributária – não retire dos 1.700 municípios parte do pouco que lhes são repassados? É porque eles se beneficiam com essa mazela horrorosa, que deixa indignados, todos nós. É por essas e outras, que a marcha dos prefeitos tornou-se sinônimo de farra e dissimulação.
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