
Por Rodolfo Borges/O Antagonista.
A opção do PSD pela candidatura presidencial de Ronaldo Caiado (foto) deixa claro que a prioridade do partido nesta eleição é fortalecer suas bancadas no Congresso Nacional.
Se já seria difícil para o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, desafiar os polos Flávio Bolsonaro e Lula com um discurso mais ao centro, parece impossível que o governador de Goiás consiga absorver parte expressiva do eleitorado de direita do filho 01 de Jair Bolsonaro.
Caiado chamará mais atenção durante a corrida eleitoral do que Leite conseguiria, contudo, e parece ter sido nisso que o PSD apostou. Em condições normais, nenhum dos dois conseguiria passar para a disputa de segundo turno, então que pelo menos concorra o mais barulhento.
O cientista político Leonardo Barreto, colunista de Crusoé, destacou bem no Papo Antagonista que Ratinho Júnior era a única das três opções do PSD em condição de se apresentar como uma terceira via propositiva. Caiado e Leite acabariam resvalando em um dos polos.
Discurso
Há um limite claro para o discurso de Caiado. O governador diz que seu adversário histórico é o PT — e ele lembrou, ao lançar a pré-candidatura do PSD, que combate o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) desde a origem —, mas seu desafio pessoal é superar Flávio.
Caiado não pode bater diretamente no filho de Bolsonaro, contudo, sob o risco de perder eleitores, e se limitou a insinuar que o senador é novo e inexperiente, chegando a reconhecer que o próprio pai estava certo ao aconselhá-lo a não concorrer à Presidência da República em 1989.
Foi o bastante para animar o eleitorado bolsonarista nas redes sociais a lembrar o apoio do governador de Goiás às vacinas e medidas sanitárias durante a pandemia de covid.
O ex-governador João Doria ainda deu uma mãozinha para o desgaste, ao dizer, durante evento do Lide, ao lado do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que “Bolsonaro teria sido reeleito se tivesse apoiado a vacina” — Valdemar concordou.
Forcinha para o PT?
Diante da ameaça à direita, os eleitores de Bolsonaro não devem sequer se emocionar com a promessa de anistia irrestrita feita por Caiado sob o pretexto de acabar com a polarização.
Na prática, o que a candidatura de Caiado parece fazer é dar mais tempo para o PT, que estuda o momento certo para começar a desconstruir Flávio. Talvez os petistas só precisem partir para cima do filho de Bolsonaro com toda a força no segundo turno, sob o risco de ajudar Caiado a superá-lo.
No jogo presidencial, portanto, Caiado corre o risco de dar uma forcinha para Lula, enquanto o PSD, que chegou a se apresentar como terceira via, tenta aumentar suas bancadas na Câmara e no Senado.
A chance de Caiado
A melhor chance do governador de Goiás é que a candidatura do jovem Flávio derreta no contraste com a sua experiência de administrador.
Mas o discurso de que, mais do que ganhar, é preciso evitar que o PT volte, como ocorreu após o governo Bolsonaro, parece fraco na atual conjuntura.
O próprio Caiado disse que qualquer um ganha dos petistas hoje, e o octagenário Lula vai ter de fazer muita musculação para conseguir voltar em 2030 caso perca a reeleição neste ano.




