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Porto Digital é orgulho nacional

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Estima ser o segundo maior serviço no Recife, em 2025

Por Houldine Nascimento/Poder360*

Maior parque tecnológico urbano da América Latina, o Porto Digital abriga 415 empresas. O empreendimento foi fundado em 2000, no bairro do Recife, área central da capital pernambucana, onde se situa a zona portuária da cidade.

O administrador Pierre Lucena, 52 anos, assumiu a presidência do parque tecnológico em novembro de 2018. De lá para cá, a receita bruta quase triplicou: saiu de R$ 1,9 bilhão para R$ 5,4 bilhões.

Isso faz com que o Porto Digital seja o 3º maior setor de serviços do Recife. Da quantia citada, Lucena afirma que cerca de R$ 3 bilhões correspondem ao pagamento de salários. Em impostos, o valor revertido à cidade do Recife é superior a R$ 100 milhões.

O Porto Digital é gerenciado de forma privada por uma associação sem fins lucrativos, o NGPD (Núcleo de Gestão do Porto Digital).

O crescimento contínuo mostra a solidez dos negócios, disse Lucena. Inicialmente, foi atribuída a ele a missão de dobrar o faturamento até 2026. A expectativa é de que já em 2025 ultrapasse a parte relacionada a serviços de construção civil.

“A gente deve ultrapassar o 2º lugar, que é o setor de construção civil nos próximos anos, talvez no ano que vem. A gente já consegue ultrapassar daqui a 2 anos, no máximo, e ficar só [atrás do] setor de saúde porque realmente o polo de saúde no Recife é gigantesco”, declara em entrevista ao Poder360.

No começo, só duas firmas estavam sob o guarda-chuva do Porto Digital. O crescimento também se deu territorialmente com a expansão para os bairros de Santo Antônio e Santo Amaro, também no centro do Recife.

São 171 hectares ou 1,71 km². A missão, contudo, vai além do avanço territorial e dos resultados positivos.

“A gente já triplicou o tamanho desse distrito aqui, mas a grande missão é transformar a cidade do Recife em um ambiente melhor para as pessoas que moram aqui”, declara.

Pierre Lucena afirma que a instalação do Porto Digital “ajuda a cuidar do território” no centro da cidade, com ações que incluem a restauração de prédios históricos. “O bairro do Recife seria certamente a cracolândia da cidade, se a gente não tivesse se instalado aqui há 23 anos. Então, demos uma dinamicidade”, relata.

Trabalhadores

De 2018 a 2023, o número de pessoas empregadas graças ao Porto Digital aumentou 93,5%: saiu de 9.500 para 18.386 funcionários. Pierre Lucena projeta triplicar o número em até 30 anos. “Nossa estratégia é ter de 50.000 a 60.000 pessoas trabalhando aqui no Porto Digital”.

Pierre diz que o crescimento do Porto Digital contribui para o avanço da cidade.

“Recife é uma cidade majoritariamente pobre. Temos um cinturão de baixa renda muito significativo e a única chance que a gente tem de colocar a cidade num mapa internacional é realmente modificar a estrutura de renda média das pessoas. A forma que a gente tem hoje de fazer isso é através da inclusão produtiva”, declara.

Capital humano

Pierre Lucena menciona o programa “Embarque Digital”, feito pela Prefeitura do Recife em parceria com o Porto Digital, na formação de capital humano na área de tecnologia. São cerca de 600 alunos por ano.

“Recife é a cidade brasileira com maior quantidade de PhD [doutorado] em ciências da computação e a que tem a maior quantidade per capita de alunos de tecnologia […] A gente está formando jovens que vêm da escola pública em um número muito significativo“, diz.

Ele afirma que a capital pernambucana está fazendo o “dever de casa”. Na sua visão, faltam iniciativas como essa no país.

“O Brasil precisa fazer isso porque a gente está perdendo muita oportunidade. A gente precisa dar conta dessa juventude, e uma das formas que a gente tem é fazendo projetos educacionais, que possam modificar a realidade de todo mundo. Não estou falando de um projeto pequeno, um projeto piloto. Precisamos ter um projeto nacional de informação”, declara.

De acordo com o administrador, houve conversas com os ministros Camilo Santana (Educação) e Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) nessa direção.

Mudança de prioridade

Lucena citou iniciativas importantes, como o Fies (Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior), que contribuiu para ampliar o acesso dos mais pobres ao ensino superior. Avalia, no entanto, que o Brasil precisa se concentrar no fomento a profissões com espaço no mercado de trabalho.

“A gente expandiu a base, foi ótimo, mas em muitas áreas que não têm mais empregabilidade. Direito é o caso mais clássico. Enquanto o Brasil formou 29.000 pessoas em todos os cursos somados de tecnologia, direito, só, formou mais de 120 mil pessoas. Então, a gente precisa começar a direcionar nossos esforços, como a China fez lá atrás, como os Estados Unidos fizeram.”

Expansão

Além do Recife, o Porto Digital administra hubs em Caruaru (PE) e em Goiânia (GO). Também tem um escritório em São Paulo. A expansão não se resume ao Brasil.

“Abrimos um escritório em Aveiro, lá em Portugal, para internacionalizar os negócios brasileiros aqui de base tecnológica. A gente tem projeto de formação hoje em Aracaju e também aí em Brasília com a Universidade Católica […] Não acreditamos em modelos fechados de inovação”, diz.

*Poder360

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