
Por Jerry Anderson
Muito se fala sobre o avanço representado pelo aumento da participação dos leigos na vida da Igreja após o concilio Vaticano II (1962 – 1965 d.c) e a reforma litúrgica de Paulo VI (1965 – 1969 d.c). A primeira coisa que precisamos deixar claro é que antes do concilio os leigos sempre tiveram participação intensa na vida da Igreja e isso pode ser comprovado pelo enorme número de confrarias, movimentos e ordens terceiras que surgiram ao longo dos séculos. Nelas os leigos ajudaram a manter a Igreja viva, resgataram almas e promoveram a caridade para com os pobres numa escala que seria impossível apenas pelo trabalho de religiosos.
Após o CV II a participação dos leigos estendeu-se a liturgia da missa. Leituras, execução de cânticos, distribuição da sagrada eucaristia (tarefas que eram exclusivas do padre ou diácono) passaram a ser exercidas por pessoas comuns. Isso pode ter trazido um alívio para os sacerdotes, já bastante sobrecarregados por paróquias cada vez mais numerosas e um número cada vez menor de padres e diáconos, mas trouxe o grave problema da confusão entre o sacerdócio ministerial e o sacerdócio comum de todos os fiéis.
Por diversas vezes flagrou-se leigos fazendo a homilia, lendo a oração eucarística com o padre e realizando outras funções que competem exclusivamente ao sacerdote. Eu mesmo tive o desprazer de ver leigos em missas interrompendo o padre na homilia para complementar suas palavras, cantores iniciarem momentos de oração após a comunhão enquanto o padre ainda realizava a organização e limpeza dos vasos sagrados, “mini homilias” de leigos na hora dos avisos da comunidade, oração em línguas na Santa missa, testemunhos de conversão que pareciam infinitos, “animação” da assembleia durante a execução dos cânticos (com direito a “solte a sua voz povo de Deus!”), Leigos impondo às mãos sobre o padre antes da homilia, pessoas sendo chamadas ao altar para receber homenagens ou canto de parabéns em plena missa e o famoso grito em festas de padroeira que mais parecia ser um berrante de rodeio: ‘VIVA NOOOOSSSAAAA SENHORAAAAAA!”.
Nada disso é previsto no missal, atrapalha o clima de oração, dilui o sagrado e banaliza a santa missa. Sem falar nos absurdos de leigos dançando e fazendo peças de teatro na liturgia.
Não vou entrar aqui no debate sobre celebrações da palavra, meninas como acólitas e ministros extraordinários da comunhão, deixemos isso para outro momento. O que é importante entendermos é que o leigo deve sim ter uma maior participação na vida da Igreja, mas precisa ter consciência de jamais assumir o protagonismo na liturgia ou exercer funções própria do sacerdote.
A Santa missa é uma ação do sacerdote que, in persona Christ e em comunhão com toda a Igreja, atualiza o sacrifício do calvário. Os leigos participam desta ação, mas não como protagonistas. É necessário que o missal seja estritamente seguido com suas rubricas, orações e sequencia de atos.
Aos leigos fica o papel de ajudar a preparar o ambiente de culto, fazer as leituras, cantar e tocar instrumentos de acompanhamento, ajudar na coleta de alimentos e dinheiro durante o ofertório, responder à oração eucarística etc.
É extremamente desagradável ver leigos tratarem a missa como grupo de oração, cantando músicas que nada tem a ver com a missa, chamarem ao povo para momentos de oração, dar testemunhos e pior: darem mini sermões na hora dos avisos, levando as pessoas que esperam a benção final a ficarem incomodadas.
Se você que está lendo este texto é um sacerdote, por favor, caridosamente oriente seus paroquianos a resumirem suas ações ao que lhes é devido. Já se você é leigo, faça apenas o seu papel na liturgia, não dê testemunhos públicos, não interrompa o sacerdote e não peça momentos de imposição de mãos sobre ele, não “anime” a assembleia, não chame os leigos para momentos de oração após a comunhão, não use o momentos dos avisos ao final da missa para dar mini sermões (seja sucinto e retorne ao seu lugar sem dar opinião).
Ao contrário do que muitos leigos pensam, a assembleia detesta ficar esperando a benção final enquanto eles dão avisos longos e fazem pregações. Deixe isso para o padre.
Nós leigos podemos fazer pregações, dar testemunhos, fazer peças de teatro para evangelizar, realizar coreografias de músicas sacras etc. em encontros, retiros, palestras, gincanas etc. mas NUNCA NA MISSA!
Fiquem na paz de Jesus e no amor de Maria!
Fonte: Site Guardiões da Fé Católica.
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