
Se tem um município em Pernambuco em que se criou, ao longo de décadas, a lamentável ideia de que todo e qualquer candidato pode chegar lá e pedir voto, em época de eleição de âmbito estadual, esse se chama Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana do Recife. Lamentável, porque, embora seja legal pedir e receber votos de eleitores de qualquer lugar, no Estado, o fato é que, de certa forma é ilegítimo e por quê? É porque, espera-se que o “político visitante”, para se credenciar, tenha efetivamente algum serviço prestado no Município, onde reside e vota o eleitor a ser conquistado.
Como verá o leitor do Blog Luís Machado, não foi por acaso que escolhemos Jaboatão dos Guararapes, como exemplo de Município em que os “forasteiros” (é assim que se costuma chamar) se acham no direito de aparecer em épocas de eleição. Mas Jaboatão não é o único.
Como felizmente ou infelizmente já se antecipou, no Estado, em um ano e três meses a campanha para deputado, governador e senador, quem não acompanha a cena política, tem a impressão de que as eleições serão este ano, quando na verdade só serão em 2026, já que não faltam, nas redes sociais e grupos WhatsApp, citação de pessoas de fora que, embora se destaquem (alguns deles) nas Regiões onde têm atuação, são pessoas completamente “estranhas no ninho” dos jaboatonenses.
Verdade é que, como ‘nada acontece por acaso’, a ideia de que Jaboatão é “terra de ninguém” se deve à omissão de gestores do passado que, no quesito identidade com o próprio chão deixaram muito a desejar e o resultado disso é que, ao longo das décadas, foi-se perdendo a necessária e salutar identidade e amor à própria Terra. Daí, a prática impensada de se votar em “qualquer um”.

Só que isso parece caminhar para uma mudança de cenário ou paradigma, onde no futuro, assim como ocorre em Caruaru, Petrolina, Araripina, Garanhuns e outros, quem é de fora não se aventure como “representante de Jaboatão, na última hora, isto é, no ano da eleição. Ouvimos formadores de opinião, em Jaboatão e constatamos que, o fato do atual gestor, Mano Medeiros (PL) está implementando ações no sentido de resgatar o sentimento de “amor à Jaboatão”, tudo indica que, em futuro não muito distante, nada (quanto a isso) será como antes ou como agora.
Para as pessoas ouvidas, ações como requalificar o antigo prédio da Prefeitura, em Jaboatão Centro; direcionar políticas públicas à zona rural; fomentar o fortalecimento da cultura, em suas variadas manifestações, com artistas locais; fomentar a fortalecimento do setor empresarial com geração de emprego e renda; dotar instrumentos de qualificação à mão de obra de jovens e adultos; estabelecer parcerias com Senai, Sebrae e Senac; mostrar as potencialidades turísticas em suas variadas formas, dão bem o start de como as coisas se encaminham, no citado Município.
As referidas ações Já chamam atenção do mundo corporativo (leia-se Fiepe e outros grupos associativos do empreendedorismo), e isso suscita a confiança e segurança jurídica do mundo empresarial. A percepção é de que, tudo isso corrobora para que haja sentimento de orgulho. Com isso, “políticos de época” certamente não obterão expressiva votação, quando a representatividade for para deputados estadual e federal.
Mas isso, na visão do Blog ainda não é suficiente. É necessário e urgente que se invista na saúde (na assistência social como um todo) e no saneamento básico. Estes carecem de urgência e prioridade, já que, na ponta, chegarão às camadas mais vulneráveis da população. Isso é fundamental.
O que se comenta é que isso (a preferência do eleitor, por candidatos com serviços prestados, em Jaboatão) já terá alguma repercussão, nas próximas eleições de 2026 e o termômetro disso foi a reeleição de Mano Medeiros, em primeiro turno, em 2024 – o que, para alguns mostrará que o prefeito terá influência na indicação de candidatos alinhados com o Município. Mas, enfim, a pergunta é: Jaboatão, deixará de ser, já nas próximas eleições “terra de ninguém”?
O tempo dirá.




