
Como diz o velho jargão político, cada eleição tem sua história. É o que parece ocorrer com o candidato bolsonarista e ex-ministro Gilson Machado, postulante à cadeira de prefeito do Recife, em 6 de outubro próximo.
Apesar do excelente desempenho nas urnas com 323.769 votos (39,04%) para o senado, em 2022 – só perdendo para a eleita senadora Teresa Leitão do PT – , na capital pernambucana, Gilson agora experimenta situação bem diferente e adversa. Além dos percalços naturais de uma campanha majoritária, o amigo de Jair Bolsonaro tem à sua frente outros gargalos que diga-se de passagem, tem dificultado seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto.
Além de ter se lançado num reduto majoritariamente esquerdista, não fez talvez por isso, aliança com outros partidos, o que, de cara, lhe restringe tempo no guia eleitoral.
Como se não bastasse, apesar de amigo pessoal do ex-presidente e da cúpula nacional de seu partido, ao que parece, não goza do mesmo prestígio e empatia, com o PL estadual, comandado por Anderson Ferreira. Este, segundo um observador atento da cena política do Recife, não veste, por inteiro, a camisa de Machado.
Para “coroar” seus percalços, nesta campanha, eis que surgem decisões judicais – que tiraram seu programa do guia eleitoral, pela segunda vez consecutiva – que, segundo o candidato e apoiadores, são questionáveis. Tanto para Gilson quanto para os outros candidatos de oposição ao prefeito e candidato à reeleição, João Campos do PSB. O guia de Gilson está fora do ar, por uma semana, em tremendo prejuízo à sua campanha e não nos consta tenha decisão de segunda instância, de eventual recurso interposto.
Gilson Machado tem sido contundente, em denunciar irregularidades relacionadas a creches que, em suma, estariam a serviço de candidatos a vereador, aliados do prefeito, com inúmeras irregularidades (o próprio prefeito notificou várias creches, a apresentarem alvarás, numa demonstração de que, ao menos em parte, as denúncias procedem), denúncias estas que estão sob investigação da Polícia Civil, Ministério Público e Tribunal de Contas.
Mesmo diante dos citados problemas enfrentados, Gilson se consolida como segundo colocado nas pesquisas que, segundo o Datafolha, estaria com 9% bem à frente de Daniel Coelho, terceiro colocado, que tem 5%.
A pergunta é: Onde estão os eleitores recifenses da direita, que não aparecem nas pesquisas? Podem está, no entender de Gilson, no universo dos que ainda não sabem, sequer, que o bolsonarista é candidato. De fato, cada eleição tem sua história.




