
Professor Emanuel Silva/Jornal O Poder.
Na semana passada, autoridades americanas comunicaram diretamente ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que Washington está prestes a classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas estrangeiras (Foreign Terrorist Organizations — FTO). O governo brasileiro resiste, mas a Câmara dos Deputados já aprovou, em 10 de abril, projeto que inclui as duas facções e mais onze cartéis latino-americanos na lista de grupos terroristas.
Consequências
Os efeitos são técnicos e imediatos: congelamento de ativos no sistema financeiro internacional, bloqueio de contas, rastreamento reforçado pela rede de compliance americana e, sobretudo, sanções secundárias a bancos que mantenham relações com pessoas ou empresas ligadas às facções. Não se trata apenas de “crime de favela”. PCC e CV operam com laranjas, empresas de fachada e contas em paraísos fiscais que usam terno e gravata. Quando o Office of Foreign Assets Control (OFAC) do Tesouro americano aciona a lupa, o problema deixa a periferia e chega aos gabinetes de luxo.
Colarinho branco
Membros do executivo, legislativo e judiciário da Venezuela e de outros países já foram alvos. E não adianta pressão de autoridade brasileira. Resistir à pressão de Washington enquanto o crime organizado financia sua expansão dentro do país e no exterior tem prazo de validade curto. E isso se comenta deve vir em breve. Basta ler os comentários dos principais assessores de Trump para América Latina, alguns deles que já foram alvos do STF.
(Professor Emanuel Silva, especial para O Poder).




