QUEM SE ELEGE POR UM SISTEMA, tem legitimidade para criticá-lo?
- “Não tenho medo de eleições. Entrego a faixa para quem ganhar no voto auditável e confiável. Dessa forma, corremos o risco de não termos eleições ano que vem. É o futuro de vocês que está em jogo”, declarou o presidente Bolsonaro a apoiadores na manhã desta sexta.
Estaria em jogo por quê? Pois não é que o presidente Jair Bolsonaro insinua que, caso não haja mudança no sistema atual, não haveria eleições em 2022! Nem dá para acreditar que o chefe da Nação – que foi eleito por esse mesmo sistema -, tenha aberto a boca para dizer uma insanidade dessas.
Na verdade, o presidente sabe que suas palavras servem apenas para justificar seu inconformismo, diante de uma eventual derrota – o que diga-se de passagem não é algo improvável -, e nada mais que isso. É como SE alguém tivesse a dizer: ‘presidente, fale mais coisas estapafúrdias, que só assim o senhor voltará pra casa, mais cedo, já que não se reelegerá’. É inacreditável como cada vez mais Bolsonaro perde a simpatia de eleitores que por algum motivo ainda lhe sufragaria o voto.

- Está Bolsonaro perdendo o apoio até de peças-chave da sustentação de seu Governo, como é o caso do Presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) que, ao saber dos esbravejo do presidente disse: “O formato, que é algo que se discute hoje, essa é uma discussão que haverá de se ter com todos os personagens da República. Essa definição não será feita pelo Poder Executivo, não será feita pelo TSE. Será feita por uma PEC que está sendo debatida pela Câmara, e a decisão que houver haverá de ser respeitada por todos os poderes e todas as instituições do Brasil”.
E acrescentou Pacheco: “Gostaria de reafirmar o nosso compromisso com valores democráticos, com a Constituição, concebida a duras penas e que é nosso dever preservar a qualquer custo”.
Finalizou Rodrigo Pacheco referindo-se ao ataque de Bolsonaro ao presidente do TSE: “Não concordo com esse método, tampouco concordo com ataques pessoais a autoridades públicas ou ao qualquer cidadão. Eu considero que a divergência de ideias deve ser discutida no campo das ideias, da tese, e não das pessoas. Portanto, eu me solidarizo com o ministro Luis Roberto Barroso, presidente do TSE, e discordo de qualquer ataque pejorativo que seja feito a ele ou a qualquer brasileiro nesse tom”.
Mas não foi através desse sistema que o presidente se elegeu? Ora, convenhamos! Se assim é, então ele pode ter sido eleito, numa atmosfera no mínimo duvidosa. Como diz o ditado: É muito discurso pra inglês ver”.
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Comento, argumento. Só não invento!




