
“Ontem o Senado virou “Senadinho”, se apequenou”. A declaração é do ministro do Trabalho do Governo Lula, Luiz Marinho, no programa “Bom dia, Ministro”, da EBC.
Marinho soltou a frase, referindo-se ao resultado da sabatina feita ao AGU Jorge Messias, nessa quarta-feira (29), ele que foi indicado pelo presidente Lula, com rejeição por parte do Plenário do Senado.
Ora, isso reflete o nível de inconformismo do Governo à decisão da chamada Casa Alta, mas reflete também falta de respeito às atribuições do Legislativo. O Governo sempre acostumado a conseguir tudo o que quer, por parte dos senadores, não assimila a derrota e há quem diga que o clima de confronto entre Lula e o presidente do senado, David Alcolumbre será inevitável.
Há alguns motivos para a revolta do Governo e um deles é o fato de que Lula, para não ser derrotado, destinou R$ 12 bilhões de Reais, pouco antes da votação. Outro motivo, é que, intrometeu-se na composição da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, tendo inclusive deslocado ministro – que licenciou-se do cargo, para votar, causando desconforto, na Comissão – como o caso do ministro Welington Dias, do PT piauiense. Houve outros malabarismos, sem sucesso.
Ora, um dado importante a considerar é que, da declaração infeliz e desrespeitosa do referido ministro Marinho, o fato é que, tanto o STF quanto o Governo do presidente Lula já não têm qualquer respeito aos senadores. Disso todos já sabemos.
Só que uma coisa está absolutamente certa: com a decisão de ontem, tanto o Governo quanto o Supremo precisam refletir e redirecionar o “modus operandi” de suas ações e atitudes, em relação ao Senado.
Isso faz todo sentido, ainda mais quando, além da derrota acachapante e histórica dessa quarta-feira, é certo que o governo sofrerá outra derrota, desta feita, na votação da dosimetria das penas impostas aos condenados do 8 de janeiro, em que será derrubado o veto de Lula, ao Projeto de Lei que reduz as penas dos referidos condenados, dentre eles o ex-presidente Jair Bolsonaro. A votação está em curso, nesse exato momento.
O que, se constata, enfim, é que, se o Senado se apequenou ou não e virou um “Senadinho”, o Governo está tonto, sem saber o que fazer. Além de mostrar suas garras afiadas, quando o assunto é independência e autonomia dos poderes.
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