
Parece que as elites brasileiras gostam mesmo de navegar na maionese, em pautas sérias de discussão e a crise Brasil x Tarifaço de Donald Trump não iria ser exceção. Para isso são experts (as elites) em desviar o foco do que é essencial.
Todos se lembram bem que, as narrativas de que os atos tidos como ditatoriais do Supremo Tribunal Federal são culpa exclusiva da Corte e que ninguém pode corrigir as distorções praticadas em relação a alguns condenados pelo 8 de janeiro? Pois é. A crise que agora se abate na questão das super tarifas, repete a dose.
Assim como se encheu as redes sociais de tudo o que é narrativa equivocada – quando sabemos que, em tese, quem pode e deve barrar o Supremo é o Congresso Nacional -, agora, mais uma vez se está a desviar as atenções do povo. Usam inverdades e os incautos são outra vez feitos massa de manobra, ao atribuir a culpa da crise Brasil/Estados em Lula e em Bolsonaro.
Ora, convenhamos! Só quem não se dá ao trabalho de ser isento e imparcial, cai no conto do vigário dos “formadores de opinião”, em achar que foi Lula (para os da direita) e Bolsonaro (para os da esquerda) que suscitaram os 50% de taxação do Trump sobre as importações brasileiras.
Como temos dito aqui, no Blog Luís Machado, as hostilidades do governo americano não começaram semana passada. Começaram quando Lula achou que deve alinhar-se a ditaduras como Rússia, China, Hammas e Irã, com destaque para as declarações do petista, em favor da Rússia, ao dizer que a Ucrânia tinha culpa pela invasão sofrida pelos russos. E ganhou ainda mais destaque, quando Lula foi lento em condenar o massacre dos 1.200 israelenses, pelo Hammas, mas foi rápido em condenar Israel, por suas ações contra os aludidos terroristas, na Faixa de Gaza.
O desvio de foco tem sido muito eficaz, em não preconizar que o destempero de Trump ganhou força quando Lula aproveitou a vitrine dos Brics, para soltar suas pérolas e uma delas foi a intenção de criar uma moeda de transação comercial substitutiva do dólar. Isso foi a gota dágua, para que os americanos usem a situação de Bolsonaro junto ao Supremo, como pano de fundo.
Se as duas principais pilastras hegemônicas dos USA são o poderio militar e o dólar, querer relegar a moeda deles é quase uma invasão ao território norte americano. Não poderia dá noutra coisa, senão a fúria do imperialista governante da América.
Como se não bastasse, além das bravatas petistas, eis que surgem os chefes de alguns tribunais superiores que, em nome da ‘soberania nacional’, fazem coro ao discurso do Governo, mas não vêm a público pedir que Lula e seu governo tratem essa questão como deve ser, isto é, pondo panos mornos e trabalhar, junto às forças vivas dos dois países, na busca do diálogo, do entendimento.
Uma coisa é absolutamente certa: não fossem os BRICS, toda essa celeuma já estaria no limbo do esquecimento e não estaríamos agora com as mãos na cabeça, para ver o que será possível fazer, a partir do próximo mês de agosto, para não sucumbirmos, frente às chantagens do americano.
Não é hora e nem faz qualquer sentido ficar desviando o foco da questão. Mas se tem algum culpado (se é que tenha), esse alguém é o presidente brasileiro que, sem qualquer vantagem alinha-se a países que só querem nos usar como massa de manobra e, de quebra, desafiam os “donos do mundo”, em nosso desfavor. Eles não têm o que nos oferecer, a não ser problemas geopolíticos de viés ideológico e nada mais que isso.
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