Blog Luis Machado

Notícias

Brasil em arriscada aliança com a China

Brasil em arriscada aliança com a China

Brasil em arriscada aliança com a China

Brasil em arriscada aliança com a China

Na dança das tarifas, a China pode sair ganhando — e o Brasil, perder discurso e mercado

*Por Ângelo Castelo Branco

Se a China realmente selar um novo acordo comercial com os Estados Unidos nos próximos dias, o Brasil pode acabar espremido entre dois gigantes. E mais do que isso: o discurso do presidente Lula contra o dólar e a favor de moedas alternativas nos BRICS pode ser rapidamente triturado pelos fatos duros da geopolítica econômica.

Um eventual entendimento entre Pequim e Washington teria efeitos diretos sobre as exportações brasileiras, sobretudo nos setores do agronegócio e das commodities minerais. Isso porque, se o Brasil continuar em rota de colisão diplomática ou comercial com os EUA — e as tarifas impostas pelos norte-americanos forem mantidas ou até ampliadas — nossos produtos se tornarão menos competitivos no mercado americano. Com isso, os Estados Unidos tenderão a abrir espaço para concorrentes com acesso privilegiado, como a própria China, caso receba isenções tarifárias em suas exportações para os EUA.

E o problema não para por aí. Um acordo sino-americano provavelmente envolveria um compromisso da China de comprar mais produtos dos EUA — exatamente como aconteceu na “Fase 1” do pacto firmado por Donald Trump e Xi Jinping em 2020. Ou seja: a China pode simplesmente reduzir drasticamente suas compras de soja, milho, carnes e minério de ferro brasileiros. Com menos demanda por nossos produtos, os preços internacionais caem. E o Brasil, sem alternativa à altura, terá de aceitar vender por menos para quem estiver disposto a comprar.

Nesse jogo de forças, a China ainda pode usar o Brasil como “plano B”: compraria nossos produtos, sim, mas usando o enfraquecimento comercial brasileiro como instrumento de pressão para impor preços mais baixos e condições menos vantajosas. Em outras palavras, mesmo quando compra, a China ganha — e o Brasil, fragilizado pela falta de alianças firmes, perde poder de negociação.

Se tudo isso se confirmar, o país se verá no pior dos mundos: excluído comercialmente pelos Estados Unidos por conta de tarifas, preterido pela China em suas compras estratégicas e pressionado por uma queda global nos preços das commodities, provocada pelo excesso de oferta. O resultado é duplamente prejudicial: perda de mercado e queda nas receitas.

Nesse cenário, o discurso do Brasil nos BRICS — especialmente as críticas de Lula ao dólar como moeda dominante no comércio global — acaba esvaziado. Porque, na prática, a China continuará negociando com os Estados Unidos em dólares, enquanto o Brasil amargará tarifas, desvantagens e isolamento.

Essa possível nova aliança entre os dois maiores players globais reforça um alerta: o Brasil precisa urgentemente de uma política externa pragmática, voltada à diversificação de mercados e à diplomacia comercial estratégica. Sem isso, sobra ideologia e falta mercado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Posts Recentes