
É cada vez mais difícil encontrar palavras que traduzam sentimentos, quando o assunto é CPMI do INSS. Raiva, decepção, revolta e indignação ensejam algo difícil de explicar, a partir dos contornos que a cada dia emanam das apurações e relatos, da parte dessa Comissão Parlamentar, no Congresso Nacional.
Só de lembrar dos obstáculos que setores do Congresso e do Governo Federal interpuseram para que a CPMI não fosse criada, já dá nojo e indignação. Como se não bastasse, mesmo depois de instalada, não faltaram atores determinados a desqualificar e até mesmo torná-la inoperante.
Quando se viu o Governo Lula trabalhar pela não instalação da CPMI; quando se vê como vimos um ministro do STF (Flávio Dino) que concedeu habeas corpus a irmão dele, citado no Inquérito da Comissão; quando vemos um dos acusados (o Careca do INSS que está preso) encarando de igual para igual, membros da Comissão, como se fosse honesto e honrado, não há como deixar de concluir que, de fato, chegamos ao fundo do poço, já que o crime organizado já está institucionalizado, em nosso País.
É inacreditável que apenas uma das associações envolvidas no escândalo seja detentora de 04 (quatro) aviões destinados a transportar os valores subtraídos e apesar disso não se veja o surgimento de um mutirão suprapartidário de Governo e Oposição, para apurar os fatos, para punir exemplarmente os criminosos envolvidos. Muito pelo contrário. O empenho que deveria ser de todos, acaba sendo apenas da oposição, como se o problema fosse político ou ideológico.
Não se vislumbra um sentimento de perplexidade, por parte do Governo, quanto a isso. Ora, devolver o que possa ser devolvido aos aposentados, nem de longe resolve o problema e não se constitui em resposta à sociedade. Se faz necessário devolver, sim. Mas é igualmente necessário punir exemplarmente aqueles que roubaram descaradamente a quem já não tem, sequer o necessário à subsistência.
Esta é uma das raras oportunidades que se tem, para dizer ao submundo do crime que este não compensa. É a oportunidade de dizer até mesmo à nossa Ordem dos Advogados (sou advogado e não aprovo a atitude do nosso presidente nacional, Beto Simonetti que, numa infeliz iniciativa contra a CPMI, soltou vídeo, em defesa de um colega insolente, que assistiu o “Careca do INSS” quando este depôs, semana que passou), na CPMI e como se esta estivesse errada, na condução dos seus trabalhos. É claro que, em dado momento os ânimos se acirraram, mas não a ponto de suscitar tamanho ardor de defesa, da parte do senhor Simonetti.
O desenrolar da CPMI tem, dentre outros méritos, o de suscitar reflexão quanto às proporções tomadas pelo crime organizado em nossas instituições oficiais. Ou vencemos o monstruoso crime organizado em nossas instituições ou seremos vencidos por ele. Já perdemos muito tempo. Por inércia e por covardia, no enfrentamento do problema.
Não é por acaso que, a CPMI do INSS suscita sentimentos de revolta e indignação.
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