
Nunca fui fã de Romeu Zema. Sempre entendi que lhe faltava firmeza, estratégia e, principalmente alguém que orientasse minimamente sua comunicação. As trapalhadas ficaram marcadas como comer banana com casca em protesto ao governo federal, fazer clipe com inteligência artificial como se fosse cantor. Nada combinava com a postura que o brasileiro espera de alguém disposto a enfrentar o sistema.
Nos últimos dias, porém, Zema ganhou projeção nacional no embate contra o STF. Sem xingamentos e/ou bravatas vazias. Foi comendo pelas beiradas,como um bom mineiro, mas sem nenhum sinal de recuo. Passou a tocar em pontos sensíveis que muitos evitam, inclusive setores do bolsonarismo, que há tempos preferem um discurso mais ameno para não intensificar tensões contra os que praticamente decidem os rumos do Brasil.
Zema não seguiu essa cartilha. Chamando-os “intocáveis”, questionou a postura de quem deveria zelar pelo equilíbrio institucional e passou a verbalizar aquilo que grande parte da população comenta, mas que quase nenhum político ousa dizer em voz alta. Sem rodeios, trouxe à tona o contrato de R$ 129 milhões entre Vorcaro e a esposa do ministro Alexandre de Moraes. Falou da sociedade envolvendo Dias Toffoli e negócios relacionados ao mesmo banqueiro. Lembrou das decisões de Gilmar Mendes que beneficiaram figuras envolvidas em escândalos criminais.
E não parou aí. Criticou o modo como o STF, cada vez mais, tenta extrapolar as prerrogativas do Judiciário para ocupar o espaço do Legislativo, criando normas, interferindo em políticas públicas e ditando os rumos do país com uma simples canetada. A cada tentativa de intimidação — especialmente quando parte de Gilmar Mendes — Zema tem dobrado a aposta.
De um político sem projeção nacional e limitado às fronteiras de Minas, tornou-se, aos olhos da direita, alguém que finalmente verbaliza o incômodo que muitos guardavam. Um opositor que não grita, não esbraveja, não ameaça. Apenas fala, e fala onde dói.
Se vai sustentar esse embate até o fim, ninguém sabe. Mas uma coisa está clara: Zema descobriu que, quando alguém enfrenta o que parecia intocável, o país inteiro para para ouvir.
Fonte: Jornal Folha Uai.



