
O que ainda é necessário para que a ficha caia no sentido de que, efetivamente vivenciamos tempos sombrios, no Brasil?
Evidentemente que, para os mais antenados já estava tudo delineado e agora se confirma o fato de que, infelizmente vivemos tempos tenebrosos e os os últimos fatos pós eleições do dia 25 não deixam dúvida, quanto a isso.
Como se explicar que um juiz tenha a ousadia de, sozinho, dá uma canetada com menos de 24h depois do pleito e mande apreender no meio da rua, o passaporte de um candidato (Flávio Bolsonaro), que obteve em torno de 56 milhões de votos, agindo unilateralmente, sem qualquer denúncia formal, para em seguida cancelar os passaportes do ex-candidato?
Não há outro sentimento, senão lamentar com tristeza e vergonha, o que está acontecendo, poucas horas depois do candidato vitorioso (Lula da Silva) discursar com acenos de paz e de prosperidade, para o povo brasileiro.
No entanto, afora qualquer coisa, é preciso relembrar que não é por falta de aviso. O exemplo do que aconteceu há pouco tempo na vizinha Venezuela – onde o ditador Nicolás Maduro instrumentalizou o Poder Judiciário de lá, para chancelar seus atos ditatoriais de perseguição aos adversários – é o argumento mais eloquente de que também por aqui as práticas nefastas de revanche iriam chegar e chegaram.
Quando todos imaginávamos que, com o resultado das urnas no primeiro turno (elegendo expressiva maioria de deputados e senadores da oposição ao atual Governo), Alexandre de Moraes iria dá um freio na saga de agir como se dono do mundo fosse, o que está acontecendo na prática é exatamente o contrário.
Moraes comporta-se como incendiário e desagregador, como se a divisão ideológica no País já não fosse algo assustador. Será que se Flávio Bolsonaro tivesse sido proclamado vencedor, nas eleições, o ministro estaria agindo dessa forma? Bem, em se tratando de alguém que dá sinais de ser um psicopata, dele pode-se esperar tudo, embora achemos que dificilmente agiria assim.
Será que as forças vivas deste País vão esperar para testemunhar eventual clima de guerra civil e só depois colocarem o bloco na rua, em sinal de repúdio aos excessos do aludido magistrado? Será que os exemplos do que ocorreu noutros países não são suficientes para colocarmos as barbas de molho?
Flávio Bolsonaro decidiu não esperar para ser preso e fugiu a tempo, para os Estados Unidos. Será que seus correligionários da Direita irão entender isso ou irão passar discurso de altivez e bravura de quem optaria por ver o ex-candidato sofrer as consequências da insegurança jurídica e ausência do devido processo legal?
É chegada a hora – aliás, já passa da hora – de agirmos concretamente, saindo da zona de conforto e enchermos praças e avenidas com serenidade e nacionalismo, pensando em nossos filhos e netos, nos moldes em que todos fizemos contra a Ditatura militar, que governou o Brasil de 1964 a 1985.
Como se vê, já não há mais qualquer dúvida de que, a fuga e o cancelamento dos passaportes de Flávio Bolsonaro, revelam tempos sombrios.
__________
*Nosso papel é produzir e publicar. O seu é lê e compartilhar. Faça sua parte!




