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Igreja Católica x Carnaval: salve-se quem puder

Igreja Católica x Carnaval: salve-se quem puder

Igreja Católica x Carnaval: salve-se quem puder

Igreja Católica x Carnaval: salve-se quem puder

Antes de adentrarmos ao assunto, cumpre uma breve explicação, como segue.

Quem é batizado na Igreja Católica Apostólica Romana recebe – por ocasião do batismo – três atributos essenciais e norteadores da conduta de filho de Deus, por adoção. O referido batismo é para quem quer fazer jus a esta condição. Os atributos são: profetismo, sacerdócio e realeza. Ou seja, o batizado passa a ser sacerdote, profeta e rei.

Pelo profetismo, o batizado deve ser alguém que não compactua com estruturas e condições injustas, anticristãs, em geral. Pelo sacerdócio, aceitamos livremente fazer parte do sofrimento – sacerdócio não ministerial – de Jesus, na condição de leigos, já que o sacerdócio ministerial engloba tudo isso, sendo mais abrangente. Já quanto à realeza, herdamos a condição de filhos de Deus que é Rei e, como tal, irmãos de Jesus Cristo Rei, promovendo, em suma, a realização do Reino de Deus, na Terra.

Pois bem. Fazendo uso do atributo profetismo que nos foi outorgado, trazemos o leitor à esta reflexão e pode-se perguntar: o que tem a presente temática a ver, com o Carnaval? A resposta é: Tem tudo a ver, na medida em que, por ser missão precípua da Igreja, salvar almas, evangelizando e alimentando o povo de Deus com o pão vivo do Céu – que é a Santíssima Eucaristia, corpo, sangue, alma e divindade de Jesus Cristo – não se justifica, sob hipótese alguma que, no período de Carnaval a esmagadora maioria das nossas igrejas e Paróquias fechem as portas, neste domingo e só reabra na próxima Quarta-feira de Cinzas.

Ora, se há uma consciência generalizada de que a confusão entre povos e nações ora estabelecida de forma ameaçadora é inconteste e que o Carnaval – embora seja teoricamente expressão de cultura e fomento de receitas, alavancando a economia em alguns pontos do País, o fato é que, espiritualmente falando, em nada soma ao bem-estar espiritual das pessoas.

Afora o fato de que, nos dias atuais – por causa da violência urbana reinante no País – é cada vez mais arriscado sair de casa para se divertir. Se sob este aspecto há controvérsia de se vale ou não à pena brincar carnaval, sob os aspectos emocional e espiritual, não há duvida de que, fechar as portas de templos e igrejas, em prejuízo dos que preferem o contato com o absoluto, espiritual, transcendental, assume contornos de irracionalidade, para não dizer, falta de caridade cristã.

Verdade é que, há inúmeros retiros espirituais, promovidos por grupos e comunidades católicas, especialmente para jovens, nestes dias carnavalescos. Mas insuficientes e até impraticáveis para pessoas idosas e doentes, por exemplo.

Curioso é que a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – ao invés de incentivar a permanência das Paróquias a que fiquem abertas, no período de Carnaval, parece preocupar-se muito mais em promover a “Campanha da Fraternidade, cujo tema este ano é “Moradia e Fraternidade”, como se o lado político-social da instituição fosse mais nobre do que dá capilaridade à vida eclesial dos fiéis, no referido período de Momo.

Houve tempos em que, fechar as igrejas nesse período, era até “tolerável”. Hoje, entretanto, isso demonstra miopia e esfriamento espiritual. Há um cartaz nas redes sociais, a dizer: “não precisamos de carnaval. Precisamos é de Deus”. Ora isso, chama atenção para o fato de que, se os tempos estão ruins é preciso enfrentá-lo como tal, isto é, com o povo nas igrejas. E não se venha com o velho discurso de que “trata-se de uma questão de segurança” porque não é.

É carência de zelo apostólico e falta de olho clínico para enxergar que a fé carece de coerência evangélica. Precisamos ser uma Igreja mais apostólica do que ritualístico-dogmática. E que a Igreja não se adeque à cultura neo-paganizada destes tempos. Tem que ser exatamente o contrário! O neopaganismo é que precisa se adequar aos preceitos evangélicos. A isso eu chamo de profetismo; é sacerdócio; é realeza.

Precisamos, com urgência, ser uma igreja-instrumento de salvação e não uma igreja do “salve-se quem puder”.

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