
Ao contrário do que se possa imaginar, em princípio (e só mesmo em princípio), cair na folia não é necessariamente, cair em pecado. Mas, verdade seja dita: para o cristão instruído no mundo da ciência e dos “porquês” referentes ao ser humano, com toda nossa complexidade (bio-psíquica, histórica e antropológica), no tempo e no espaço, é praticamente impossível ficar totalmente alheio à tradicional manifestação popular que chamamos de Carnaval.
Sem entrar no mérito das causas e consequências boas ou ruins do aludido período festivo, um sentimento emerge dentro de nós e ao qual vamos chamar de utopia das massas.
E por quê utopia? É porque dentro de cada um e ao seu modo próprio, vem o lamento/desabafo, fruto do inconformismo e frustração do tipo: ah se todos os brasileiros enchessem praças e avenidas com alegria e paz transbordantes, em clima fraternal de quase louvor ao Criador, sem a violência de sempre; ah se o sistema não fosse feito, para usar o povão, como massa de manobra, bem ao estilo romano de dá “pão e circo”; ah se os políticos não usassem o evento para autopromoção política, nas apresentações de alianças partidárias; ah se o Carnaval distribuísse entre ambulantes e empresários da cadeia produtiva dos variados segmentos, existentes em função do citado evento!
Claro! Se é utopia, não pode revestir-se de realidade, obviamente. Mas, dentro dessa minha utopia, existe uma outra, ainda maior: ah se as fichas das pessoas caíssem, levando-as a concluir que são só três dias – há lugares em que o período de Carnaval vai além da Quarta-feira de Cinzas – e que após isso os efeitos “anestésicos” já passaram e tudo passa a ser como era antes.
Bem que poderiam os foliões usar a mesma energia para canalizar meios de bem-estar para todos, política e economicamente falando. Fazer o quê, não é? Afinal, utopia de crente (católico ou evangélico) é sempre utopia, ao menos por enquanto!
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