
Nem é necessário ser mais velho, para saber como começa uma ditadura e há países vizinhos nossos a nos dá lições, quanto a isso.
Um regime ditatorial nunca começa do dia para a noite. O problema é que, quase sempre só se deixa a ficha cair, quando é tarde demais. Dizemos isso porque os atos mais recentes do ministro do Supremo Tribunal Federal, na condução do processo chamado de 8 de janeiro (com todos os desdobramentos) e agora a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro já suscitam um clima de apreensão, nesse aspecto.
Aos que preconizam isenção e imparcialidade – que não se circunscrevem como sendo de direita ou de esquerda – vislumbram um caminho perigoso nas referidas ações do Supremo e só ingênuos não percebem isso.
Nem é preciso ter olho clínico para enxergar que, o formato de o regime de exceção ora desenhado e que já está em curso, difere em muito dos outros perpetrados no passado.
Estamos importando o nefasto regime implementado na Venezuela, em que se usa o Judiciário para cercear direitos constitucionais, em nome da própria Constituição, como se isso justificasse o diabólico jogo da inversão de valores.
Não há dúvida de que o Supremo usurpa as prerrogativas que lhe são conferidas, para subjugar pessoas e até membros do Congresso Nacional, quando não rezam na cartilha da toga, além de (em alguns casos) construir narrativas sem base legal, contando com os poderosos setores de uma imprensa beneficiária em vultosas quantias pecuniárias, a serviço do poder.
É como se existisse uma nuvem escura, no ar, capaz de neutralizar possíveis insurgências de críticas contra esse estado de coisas (estamos falando de representantes da sociedade civil organizada), apesar de juristas renomados do País fazerem coro, contra a desmedida atuação do Judiciário brasileiro.
Nosso Congresso Nacional – único que poderia ser o guardião da democracia num momento como esses – é subserviente, está de joelhos, diante de um Supremo que tornou-se sucursal do Palácio do Planalto. Esta é a realidade.
Há que se encontrar uma saída, haja vista que, a situação já não é mais apenas política. É também econômica, com insurgências de forças estrangeiras que, em nome da democracia ousam mexer ainda mais esse angu de caroço indigesto, para todos os brasileiros.
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