
Já fazia algum tempo que não nos debruçávamos sobre a gestão do prefeito Mano Medeiros (PL), de Jaboatão dos Guararapes e seus contornos, especialmente no quesito relacionamento com o Grupo dos Ferreira, do qual ele faz parte.
Trajetória de Mano
Como se sabe, Mano saiu da condição de vice, para ser efetivado prefeito do Município, substituindo o então prefeito Anderson Ferreira – presidente do PL, no Estado – que renunciou para se lançar candidato ao governo do Estado, em 2022.
Uma vez à frente da Gestão, o prefeito encontrou-se numa espécie de paredão, ante à quase obrigação que tinha de conquistar a reeleição, logo ele que assumiu a prefeitura, no lugar de um prefeito que não estava lá muito bem avaliado e tinha enorme rejeição, junto à população.
Papel decisivo da primeira dama e mudança na forma de governar
Conhecedor do terreno onde pisava, Mano encarou o desafio, chamando a si, a inestimável ajuda da esposa, Andréa e juntos foram às ruas obstinados a quebrar paradigmas e um deles foi percorrer as ruas, sem o “modus operandi” de seu antecessor que, via de regra, andava pelos bairros, de carro, com os vidros fechados e isso logo foi sendo observado como positivo.
Mano mudou-se literalmente para Jaboatão Centro (sem esquecer outras áreas), distrito histórico de rejeição aos Ferreira. Cuidou de chamar a si, para o Governo, alguns antipatizantes, opositores de Anderson e continuou a sair cedo de casa e chegar muito tarde, numa impressionante disposição de conquistar seu espaço politico e deixar sua marca como gestor. Mas isso lhe exigiu o pagamento de alto preço. Mas, que preço?
Gigantismo de Mano/Andréa suscita preocupação e inveja
Forjado pelos Ferreira (cuja família é conhecida por trabalhar “em causa própria”), não demorou para logo constatar uma espécie de tutela da parte de seus ex-padrinhos políticos que ao menor sinal de voo próprio, demonstravam desconforto, já que as estrelas do Grupo eram Anderson e André Ferreira.
Segundo observadores da cena política, para o Grupo, se Mano fosse derrotado nas urnas, em 2022, a culpa seria dele. Mas se fosse reeleito, o mérito seria de André e Anderson. Ora isso, era um tremendo fardo nos ombros daquele que era um ilustre desconhecido, mas que precisava se agigantar, para provar que era capaz de superar obstáculos e barreiras, praticamente sem apoio dos ex-padrinhos que, a rigor, sequer podiam aparecer muito, para não servir de encosto movediço ao então candidato Mano.
Mano Medeiros se reelege em primeiro turno e agora forma uma constelação, com André e Anderson. Até aí, tudo bem, tudo ótimo e normal! Aliás, nem tudo e por um pequeno grande detalhe: é que no meio dessa engrenagem política existe uma peça merecedora de atenção. Estamos falando da mulher do prefeito, Andréa Ventura Medeiros. Tão valente quanto o esposo, Andréa passou a despertar olhares e até ciúmes de alguns líderes do Grupo, já que passaram a dá como certa sua candidatura a deputada estadual e isso mexeria com algumas peças, no tabuleiro político do Partido.
Andréa alça voo como presidente do PSD em Jaboatão e vira peça-chave de Raquel Lyra
Não mais podendo esconder sua intenção de lançar-se candidata, a primeira dama cuidou de aproximar-se da govenadora Raquel Lyra que, de plano, passou a paparicá-la, colocando-a na presidência do PSD jaboatonense, até mesmo por questão de garantia em termos de legenda.
Até aí, tudo normal, se não fosse um pequeno detalhe: a candidatura de Andréia não agradou a André e Anderson e tanto é verdade que, ao título de cidadã jaboatonense, concedido à mesma, pela Câmara de Vereadores, em agosto do mês passado, não se viu nenhum dos caciques do partido de Mano (o PL) e esse foi o primeiro sinal de que o clima havia mudado e que Mano não aceita ser tutelado. Até porque a criatura já é considerada tão grande ou até maior do que o criador, embora o prefeito não admita isso.
Para alguns colegas da Imprensa, a assertiva é de que, agora, mas do que nunca, André e Anderson precisam prestar atenção ao terreno onde estão pisando, para não darem um tiro no pé. O colégio eleitoral de Jaboatão é superior a 450 mil eleitores e há espaço “para todo mundo”, mas a questão nem é essa. É que, ou o Grupo assimila a novidade Mano/Andréa – não mais trabalhando em causa própria – ou se enfraquecerá, porque ao que tudo indica, tudo só está começando e ‘o céu é o limite’.
Por essa e outras é que, na correlação de forças, as lideranças de Mano/Andréa Medeiros, junto aos Ferreira, tornou-se por todos os motivos do mundo, uma relação de delicado manejo.
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