Cremos que todos já ouviram expressões do tipo: ‘política não é coisa séria’; ‘política não é para pessoas sérias’ e ‘política é coisa de bandido, ladrão’, para citar apenas algumas das expressões que traduzem o desabafo de eleitores já fatigados com esta temática.
Por incrível que pareça, são os próprios políticos que, em sua grande maioria contribuem para que o descrédito neles só aumente. Exemplo disso é um vídeo postado no Instagram de um colega blogueiro, no qual o deputado federal Coronel Meira diz achar que o partido dele (o PL) não terá candidato a governador, além de dizer que sua legenda não apoiará nenhum dos candidatos que aí estão (referindo-se a João Campos e Raquel Lyra) por serem estes “muito ruins”.
Ora, convenhamos! A “justificativa” do referido parlamentar não se sustenta e não é séria, além de ser antidemocrática e prejudicial ao eleitor que não vai querer votar nos nomes acima citados e até mesmo prejudicial ao próprio partido dele.. Por quê dizemos isso? É porque, primeiro: os nomes mais bem colocados nas pesquisas (João e Raquel) não são nem melhores nem piores do que o Coronel Meira e seu Partido; são apenas diferentes, em algum aspecto. Segundo, porque a democracia pressupõe a que os partidos disponibilizem ao eleitorado, candidatos como opção de escolha, como lhe aprouver. Por último, a afirmativa de Meira, caso represente o pensamento de seu partido, estaria em desserviço à própria legenda, na medida em que, mesmo que não seja bem-sucedida (e tudo indica que realmente não seria), colocaria em evidência os quadros mais expressivos do PL, em Pernambuco e aí sim, teria chances de fortalecer a legenda, com a eleição de uma bancada possivelmente expressiva, a níveis federal e estadual.
Sugerir que o eleitor não vote em candidatos a governador (porque seriam “muito ruins”), é feio e não condiz com a postura esperada de um parlamentar federal que preconiza e apregoa a democracia.
Na verdade, deveria o deputado Coronel Meire dizer que, o PL não lançará candidato a governador, porque está dividido, no Estado, entre o grupo dos Ferreira e o grupo que apoia o ex-ministro Gilson Machado. Não deve entrar numa aventura dessas, para obter desempenho pífio, muito pior do que obteve em 2022. Mas bem que Meira poderia ele próprio defender uma candidatura a governador, com perfil de centro-direita, cujo mote de campanha fosse fugir da polarização (que aí está) burra e prejudicial aos interesses do povo de Pernambuco e do Brasil. Aí, seu partido se apresentaria como legenda de perfil democrático, eivado de princípios republicanos.



