
“A criação de um processo seletivo exclusivo, paralelo ao sistema nacional, sem utilização do Enem e do Sisu [Sistema de Seleção Unificada] como critérios de acesso, afronta os princípios da isonomia e do acesso universal, além de comprometer a credibilidade acadêmica e representar um precedente grave e perigoso para a educação médica no Brasil”, afirmam, em nota, o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe), o Sindicato dos Médicos, a Associação Médica de Pernambuco e a Academia Pernambucana de Medicina.
Não precisa ir muito longe e basta lê o que subscreveram as entidades acima citadas, para se ter uma ideia do tamanho da irresponsabilidade do setor acadêmico da UFPE, em subestimar a importância de vidas humanas, com a criação do citado Curso, que não tem outro significado a não ser alimentar o viés ideológico reinante, no seio acadêmico, deste País.
Dá acesso e oportunidades aos brasileiros do campo é salutar e necessário, pois corrige injustiças históricas e neste particular, nenhuma crítica. Muito pelo contrário. Tanto é que já existem cursos superiores, em andamento, tais como Direito, Agronomia, Engenharia Agrícola, Medicina Veterinária e Zootecnia) e ninguém se opôs. Mas criar um Curso de Medicina, apenas para sem tetos e quilombolas, inspirado no “modus operandi” cubano, é ir longe demais. Aos candidatos a médicos são exigidos (como deve ser) elevado grau de instrução curricular e de graduação, já que lidarão com o que de mais precioso possamos ter, que é a vida.
Num momento em que se critica tanto o negacionismo dos que se opõem à ciência, isso demonstra incoerência e irresponsabilidade, frente aos valores mais nobres da vida humana. Não que as 80 vagas criadas aos citados segmentos específicos sejam ilegítimas. Só que não é questão de legitimidade e sim de respeito aos princípios técnico-científicos de que dispomos como referência ao cuidar de cada um. Politizar essa questão é pernicioso e fora de qualquer senso ou aceitação.
A pergunta é: seria razoável criar, sem vestibular, outro curso de Medicina, destinado especificamente a colonos de pescadores, micro empreendedores ou segmentos similares? Evidente que não! Mas o que causa estranheza é que as entidades de classe acima citadas não tenham judicializado a questão.
Até onde iremos com intempestivas e infelizes atitudes como essas?
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