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Morte de Zé Luiz Mélo deixa um vácuo na cultura de Jaboatão dos Guararapes

Morte de Zé Luiz Mélo deixa um vácuo na cultura de Jaboatão dos Guararapes

Morte de Zé Luiz Mélo deixa um vácuo na cultura de Jaboatão dos Guararapes

Morte de Zé Luiz Mélo deixa um vácuo na cultura de Jaboatão dos Guararapes

Pernambucanos mais vividos iniciaram o dia desta sexta-feira (12) com a triste notícia acerca do falecimento do médico, poeta e ex-deputado estadual, José Luiz de Mélo, de 82 anos, mais conhecido como Dr Zé Luiz Melo, notícia dada em primeira mão, por este Blog Luís Machado.

Poderia ser mais um ilustre pernambucano a cumprir sua jornada e obter para os familiares e amigos, as condolências de praxe, da parte de quem o estima. Mas, em se tratando do amigo pranteado, a nós nos parece trazer, aqui, algumas considerações, especialmente direcionadas ao povo de Jaboatão dos Guararapes e por uma razão muito simples.

Houve um tempo – e esse tempo compreende também a época em que Zé Luiz estava mais voltado à cena política, inclusive como deputado – em que, falar dos políticos de Jaboatão e suas práticas, era motivo de galhofa ou desdém, por conta dos sucessivos escândalos praticados, a ensejarem intervenções, sem falar que, como se dizia, “se espremer, sai sangue”, de tanto que era copiosa a gama de matérias publicadas nos jornais impressos da época, por conta de crimes praticados.

Só que, como toda regra tem exceção, Zé Luiz era exatamente essa exceção. Lembro que, já nos tempos mais recentes (a partir de 2000/2001), nos tornamos amigos (fui inclusive paciente dele, em sua Clínica Metropolitana, situada em Jaboatão Centro, enquanto medico ortopedista) e desde essa época era prazeroso conversar com ele.

Educadíssimo e de gestos simples (de perfil à lá Marco Maciel), sua fidalguia era visível e tudo isso acabava sendo transposto para a poesia. Sua visão de mundo era de uma profundidade exuberante. Era acima de tudo, um humanista. Mas não se julgava melhor do que ninguém, dado à sua humildade.

Autor dos livros “Proibições e Impedimentos” (1981), pela Edições Pirata, de “Primeiro Livro dos Sonetos, dos primeiros aos penúltimos…” (2016) e “Segundo Livro dos Sonetos, os penúltimos…” (2018), pela Editora Novo estilo, José Luiz já preparava uma nova publicação, intitulada “Terceiro Livro dos Sonetos, os derradeiros…”. Poeta da chamada Geração 65 de escritores pernambucanos.

Durante o período enquanto deputado por Pernambuco, na legislatura de 1983 a 1986, recebeu o troféu Leão do Norte pelo desenvolvimento da educação, no Estado de Pernambuco.

Falávamos especialmente sobre a falta de compostura de grande parte dos políticos, no campo da ética e da moral. Quanto a isso, Mélo (isso mesmo, com acento na letra “e”) era ele implacavelmente intransigente. Intransigente com a prática de atos antirrepublicanos. Sua estatura moral era, portanto, diametralmente oposta à da maioria dos políticos da época e até mesmo de hoje.

Considerando que Jaboatão é pródigo em não tributar honrarias a seus filhos mais ilustres, como deveria, fica aqui a sugestão, no sentido de que a memória de José Luiz Mélo não vá ao panteão do esquecimento. Há que se poderia perguntar sobre o quê de extraordinário fez ele? A resposta é: Deixou o legado do bom político, do homem sério, probo e honrado às novas gerais, sem falar de sua contribuição à cultura de Jaboatão e de Pernambuco. Isso não é pouca coisa.

Em homenagem ao médico, político, humanista e poeta Dr José Luiz Mélo, rogo a que Jaboatão honre de alguma forma, seu legado. Afinal, como diz o grande poeta português, Fernando Pessoa: “Tudo vale à pena, quando a alma não é pequena”.

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