
É simplesmente impressionante como o presidente do Supremo (STF), ministro Luís Roberto Barroso sabe manejar as palavras, especialmente quando sente que o caldo pode engrossar em desfavor da Corte e hoje, na abertura dos trabalhos do Judiciário não foi diferente.
Agora, com a posse dos presidentes da Câmara e do Senado – Hugo Motta e Davi Alcolumbre, respectivamente – aquela velha atitude de quem não “larga o osso” será a tônica de quem fala bonito, sobre a independência e harmonia dos poderes, mas na prática, não abre mão de querer continuar subjugando os demais poderes.
Na outra banda, os discursos dos comandantes de Câmara e Senado são nitidamente no sentido de que, “daqui pra frente, tudo vai ser diferente” para lembrar a estrofe da conhecida música do Roberto Carlos. Só que há um pequeno grande detalhe: nenhum deles (Hugo e Alcolumbre) terá coragem de se impor diante dessa verdadeira ‘casta sacrossanta” e intocável, que é o Supremo Tribunal Federal.
Barroso não fez cerimônia alguma em dizer: “Lembro que todas as democracias reservam uma parcela de poder para ser exercida por agentes públicos que não são eleitos pelo voto popular, para que permaneçam imunes às paixões políticas de cada momento. O título de legitimidade desses agentes é a formação técnica e a imparcialidade na interpretação da Constituição e das leis. Nós decidimos as questões mais complexas e divisivas da sociedade brasileira”, disse o presidente do STF.
Barroso só não disse que, nas outras democracias sabe-se delinear a linha vermelha que mostra o papel de cada poder, o que – diga-se de passagem – não tem sido observado no caso do Brasil, desde 1988, quando nossa Lei maior foi promulgada e “ungida” nas palavras proféticos do “senhor das diretas” Ulisses Guimarães. O Supremo tem usurpado da condição de intérprete da Constituição, em condições nunca vistas antes, na história republicana do nosso País.
Agora, o Brasil quer pagar pra ver se os novos comandantes das Casas legislativas da República agirão com altivez e discernimento, como deve ser. Para uns, os precitados líderes fizeram discurso para inglês ver. Para outros, algo vai mudar. Quanto à nós, que conhecemos um pouco do passado dos dois, nada vai mudar. Afinal, os dois já chegaram lá comprometidos até o pescoço com setores da velha política, viciada e carcomida pelo sistema que engessa e aniquila quem ousar agir de forma republicana. Mais claro do que isso, só desenhando!




