
Lançada há sessenta anos, pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a chamada Campanha da Fraternidade já não mais ecoa entre os católicos como instrumento capaz de despertar ou sensibilizar e os motivos são muitos.
Na efervescência da guerra fria e surgimento da Teologia da Libertação – tendo a América Latina como centro inspirador da mesma – propunha-se a CF propor um instrumento de conscientização política, capaz de denunciar a concentração de renda nas mãos de uns poucos, em detrimento da imensa maioria.
Em princípio, a proposta não era ruim e angariou certo prestígio, especialmente por ter como defensores, nomes como o Arcebispo Dom Hélder Câmara, Cardeal Dom Aloísio Lorscheider, Cardeal Dom Paulo Evaristo Arns, entre outros. Mas, ao longo das décadas foi-se esvaziando, em virtude do viés ideológico pela CNBB assumido, em detrimento das pautas condizentes com o papel da Igreja, que foi sempre o de evangelizar.
Neste ano de 2024, apresenta a aludida Conferência, o tema “Fraternidade e Amizade Social”, em nítida conotação política, embora (para passar a ideia de que a intenção seria “evangelizar” , trouxe o lema “Vós sois todos irmãos e irmãs”.
Só que, diante da divisão na Igreja, chancelada e até promovida por setores da Conferência dos Bispos brasileiros, a citada Campanha sofre duros percalços, este ano, na medida em que há inúmeros bispos e padres posicionando-se publicamente contrários à mesma e já não se sensibilizam, no tocante ao recolhimento de dinheiro, pelos fiéis, como ocorreu, no passado.
Uma das justificativas de quem já não apoia a Campanha da Fraternidade, é que (mesmo dizendo-se uma campanha ecumênica) o texto-base da mesma foi redigido por pessoas evangélicas aliadas de partidos políticos de esquerda e apenas igrejas tidas como “legítimas” e nesse grupo não se contam pessoas das igrejas Batista e Assembleia de Deus, por exemplo.
As igrejas evangélicas tradicionais (que não estão com à CNBB, na aludida Campanha) preconizam a defesa de pautas contra a ideologia de gênero e contra o aborto – para citar apenas algumas – bandeiras praticamente alheias aos interesses prioritários das igrejas membros da Campanha da Fraternidade. Nisso reside, segundo dizem setores discordantes, na Igreja Católica, a incoerência da proposta “ecumênica” da CF/2024. A pergunta é: como uma campanha é ecumênica, se deixa de fora, as principais igrejas evangélicas, do País?
Como na verdade, o cerne da questão motivadora da Campanha da Fraternidade é a arrecadação de dinheiro, junto aos católicos, o insucesso desta é visível e só ainda persiste, porque trata-se forte apelo de marketing, para se passar como uma força, a serviço da ideologia esquerdista. O fato é que, católicos (bispos, padres e leigos) não alinhados à esquerda, estão todos praticamente fora da Campanha, embora não se exponham abertamente. Isso é fato.




