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Presidente do TJPE está prefeito do Recife e tem a chance de quebrar paradigmas

Presidente do TJPE está prefeito do Recife e tem a chance de quebrar paradigmas

Presidente do TJPE está prefeito do Recife e tem a chance de quebrar paradigmas

Presidente do TJPE está prefeito do Recife e tem a chance de quebrar paradigmas

Bastante significativa foi a investidura, nesta sexta-feira (05), do presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) que, por força de uma lei municipal, assumiu interinamente, o cargo de prefeito do Recife, cuja transmissão se deu pelas mãos do prefeito João Campos (PSB), por está ele em viagem aos Estados Unidos, para participar do Brazil Conference at Harvard & MIT, evento anual realizado pela comunidade brasileira de estudantes de Massachusetts.

Isso deve-se ao fato de que, tanto o prefeito, quanto sua vice, bem como o presidente da Câmara de Vereadores do Recife também estão fora do Município e, claro, a autoridade imediata prevista em Lei, para assumir o cargo, é o presidente da Corte de Justiça do Estado, desembargador Ricardo Paes Barreto.

Bastante reveladora, foi a declaração de Paes Barreto que, em seu primeiro pronunciamento disse que estaria nas ruas, cumprindo integralmente a agenda de Campos e suas ações seriam de dá plena continuidade e cumprimento aos compromissos oficiais do prefeito. Disse que iria revestir-se por inteiro, da condição de chefe do Executivo, a começar pela forma de trajar-se, qual seja, usar calça e camisa.

Ricardo Paes Barreto justificou-se dizendo que, ao contrário dos juízes que, por atuarem em gabinetes, usam paletó e gravata. “Nas ruas e diante do calor existente, a realidade será outra”, pontuou o agora prefeito interino. Dito e feito.

Já no seu primeiro dia (neste sábado, 05), como prefeito interino da Capital – ele ficará no cargo até o retorno de João Campos, na próxima terça-feira -, o desembargador Ricardo Paes Barreto, foi às ruas, para fazer entregas de obras.

Ricardo Paes Barreto que já faz história (ele é o primeiro presidente de Tribunal, no País, a assumir uma prefeitura de Capital) poderá ir mais longe, quebrando paradigmas, particularmente quanto à forma das autoridades se vestirem. Ora, todos sabem das altas temperaturas que têm crescido ao redor do Planeta e no Nordeste brasileiro, acaba sendo quase uma questão de saúde pública.

Não é mais razoável que, em nome da tradição e dos costumes, juízes, promotores e (nós) advogados tenhamos que continuar sendo obrigados a usar paletó e gravata, e toda e qualquer circunstância. Há lugares e épocas do ano em que a temperatura chega à casa dos insuportáveis 40 graus, na sombra.

A propósito, cabe, aqui, um breve relato. É que, esteve este advogado e blogueiro envolto numa contenda, “por causa” de um paletó. Ou melhor, por causa da falta dele. Na década de 1990, ousamos adentrar à sala de audiência, numa das varas da Justiça do Trabalho, em Jaboatão dos Guararapes, trajando apenas calça e camisa sociais e gravata (sem o bendito paletó).

Bastou sentarmos para a aludida Audiência, cuja sala estava lotada de advogados e o magistrado pergunta em voz baixa: “Doutor!” Sabendo que o mesmo iria insistir, fiquei cabisbaixo. Fiz que não era comigo. O juiz foi subindo o tom e na terceira vez, já aos berros, repetiu: DOUTOR! Respondi: O senhor está falando comigo, assim, por qual motivo? Algum problema, doutor? Ele: “Cadê o paletó?, cadê o paletó? Eu retruquei: não permito que se dirija à mim, nesse tom! E emendei: O senhor exige o paletó e cadê a toga? Por que está sem a toga? Dia seguinte ele estava de toga e eu de paletó, evidentemente! A notícia correu mundo, rapidamente, como faísca: “Em Jaboatão, um advogado obrigou João Tibúrcio (nome fictício) a vestir a toga!” Tornou-se cômico e motivo de galhofa!

Narrei o fato acima, para dizer que, mesmo achando que a “indumentária” é importante e faz parte da liturgia do cargo ou função, não é mais possível que se faça vista grossa a essa questão. Bem que o atual presidente do TJPE e prefeito do Recife por alguns dias, poderia quebrar paradigma, baixando uma Resolução, na qual faculte a quem sinta-se em desconforto, usar ou não, trajes formais, especialmente em época de temperatura acima da média. Até porque, a referida mudança de hábito ocorrerá, cedo ou tarde. Afinal, não é o hábito que faz o monge. É o monge que faz o hábito. Fica a dica!

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